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Recuperação de fitas do arquivo da Rádio Nacional de São Tomé
Em 2019 montámos um laboratório temporário na sede da Rádio Nacional de São Tomé para recuperar e digitalizar no local uma grande parte do seu arquivo de fitas.

Em 2019 fui convidado por Afonso Simões para participar na recuperação e digitalização de uma grande quantidade de fitas do arquivo da Rádio Nacional de São Tomé (RNST). O trabalho tinha de ser feito no local, por isso, após alguns meses de preparação, fizemos as malas e partimos para montar um laboratório temporário na sede da rádio. Preparámo-nos o melhor possível para o eventual mau estado do material, levando um fiável Revox A77 MkIV, algum equipamento de laboratório para calibração e manutenção e uma boa quantidade de material de limpeza.

A digitalização foi um processo demorado. Cada bobine tinha de ser cuidadosamente preparada, e todo o processo envolveu priorização, etiquetagem e tratamento das fitas num ambiente extra seco antes de as desenrolar. As fitas Ampex e Scotch foram das mais problemáticas. A maioria sofria de problemas de envelhecimento como perda do revestimento traseiro, sticky-shed e chiar, e algumas deixavam uma quantidade considerável de óxido ao longo do mecanismo, que também tinha de ser mantido e limpo entre fitas, por vezes entre faixas.


À nossa chegada, a equipa da rádio apresentou-nos um Tascam BR-20 em ótimo estado que, após alguma manutenção, ficou pronto a usar. Acabámos por usá-lo na maior parte do trabalho graças ao seu mecanismo robusto: um verdadeiro cavalo de batalha.

Entre as fitas cheias de música de São Tomé com décadas, algumas gravadas na própria rádio, estavam fitas dos África Negra, banda de culto formada na ilha no início dos anos 70. Tivemos a sorte de receber a visita de um dos fundadores da banda, Leonídio Barros, que nos viu trabalhar em algumas dessas fitas. Um dia para recordar.



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